por entre os ribeiros nascentes rios Oceanos riachos mares
Segunda-feira
por entre vales montanhas bosques socalcos planícies
por entre a chuva tormentas tufões brisas ciclones orvalho
por entre minhas mãos teu casaco pele perna beijo e tudo o mais
por entre isto tudo e mais um pouco, me degladeio e morro vivendo_
o tempo perde-se ladeando nas finas camadas de areia
que se movem nas dunas e invadem outros recantos
o tempo perde-se nas dunas invadidas por corpos ladeando-se
as camadas de calor se repetem por entre os recantos
o tempo existe nas pródigas manhãs extenuantes
onde corpos cansados se perdiam nas areias
nas dunas esquecidas pelo tempo_
Sábado
será que os ramos se contorcem sem dor
um tempo onde as árvores não dêem frutos
onde o vento as abane e aí possam chorar_
letras acomodadas na almofada
palavras bebidas
com o resto que o copo vira
sentir a emoção acomodada, pelo copo bebido na almofada
onde se viram letras e se inventam palavras
intrínsecas incompletas miseráveis
e uma vez mais a brisa passa_
Sexta-feira
riscos
raízes impregnadas por um tempo
de sabor seco
um tempo que volta
que trás as nuvens, a chuva e as raízes uma vez mais
as nuvens lentas as raízes longas
o céu aberto
a marginal tem seus pássaros nas deambulações diárias
serenamente aconchego minhas palavras e o texto cresce
envolve-se no silêncio da noite, tal como as raízes
uma vez mais envolvidas no tempo
esse que não espera não pára, apenas flui_
Quinta-feira
elefante Parte I
Qual a diferença entre um elefante e uma formiga?
este enigma é resolvido facilmente por uma mente que não se preocupe, se mantenha pura, intocada.
Há pessoas que se integram bem em conversas de grande conteúdo, mesmo rindo e tentando esquecer o que vai de mal por estarem ali nas urgências daquele hospital.
ah, para finalizar parece que só o de São José é que tem urgências (Santa Marta e Capuchos é grupe_
vou
vou tentar ser aquilo que quero transmitir
vou transmitir aquilo que penso que quero ser
vou pensar transmitir aquilo que quero ser
vou transmitir o que sou pensando
vou ser o que penso quando transmito aquilo
vou pensar ser e transmitir
vou indefinidamente pensar que aquilo que escrevi transmito somente a ti_
labirinto
encostado na berma
deixado à margem onde os arbustos crescem
soltado na vida
das poeiras deixadas pelas pressas
recostado na paisagem
essa que emana do ar repleto de notas musicais
preso no labirinto
onde as ondas não passam não ousam simplesmente nesse labirinto
a vida cresce sem pressa
enquanto o Celacanto ainda percorre o mar num mundo confuso
onde os labirintos tendem a dar a cor
ténues pinceladas
em paisagens fortemente massificadas destrutivas pesadas
e o papagaio novamente na mão do rapaz_

